Vou de Táxi
…e seja o que Deus quiser

Vértebra Social #2

# Briga de pombos
Dia desses, numa das mais hypadas linhas da família laranja dos coletivos da cidade, um bem vestido homem conversava de maneira ríspida com a esposa – os mais pudicos até taparam os ouvidos e exclamaram “ais!” e “uis!” entre um xingamento e outro. Tudo questão de má interpretação: minutos depois (e outras tantos telefones batidos na cara) o rapaz acionou uma locatária de quartos no Parque Continental – “o” point dos recém-descasados da ‘city’. Tudo acertado, logo na seqüência o mistério se desfez: todo meigo, ele trocava carícias com uma fulana, a amante, e já combinava a comemoração que se aproximava, logo à noite… DIzem que ao saber, a esposa pediu mesmo o divórcio – já pensando na polpuda pensão – e falou um bom tanto de verdades – ao vivo – ao novo casal de pombinhos. Como? A-há: ela descobriu que o verdadeiro “Ninho do Pássaro” não era na China e foi lá dar suas bicadas.

## Salve, simpatia
Essa é quente. Na última semana, enquanto se dirigia a uma gig profissional num ’superlow-profile’, um jovem do ‘low’ se viu num deus-nos-acuda. Sentado no coletivo – um desconforto só… – teve de dividir o banco com um homem de meia-idade troncudo demais. Na luta silenciosa pelo espaço, esboçou um espasmo com as pernas e empurrou o “colega”, que não gostou nada do que sentiu. “Tá empurrando minha perna por quê? Vai se f…, rapaz!”, soltou o mal educado. Boas e más línguas estavam em consenso: ele dormira de calça jeans na noite anterior, e soltava fogo pelas ventas a qualquer inflexão alheia. Ao jovem rapaz restou se jogar num ’sono-fake’ (na hora uma moça deu um incompreensível conselho: “Faz a Lúcia, muleque!”), que colou no afã do xinga-empurra. É, nossos Jardins já não são mais os mesmos…

### Mr. Soluço
Essa é para os ‘lows’ que se regozijam com as benesses de andar, vez ou outra, nos táxis (aqueles carros brancos de placa vermelha, em que se paga para ser levado em conforto para algum lugar). Ao som de sertanejo, um motorista muito do simpático – mas com a dicção comprometida como o prefeito Kassab e o Patolino – contava do dia em que levou um jovem executivo de uma renomada instituição financeira que bebera, mas bebera tanto, que não lembrava onde havia deixado o carro. Chegou em casa – no além ZL – sem eira, nem beira – e de táxi. Restou à esposa ir resgatar o carro. Mas quem ficou ainda mais insatisfeito foi o chefe do economista alcoolizado: sua competência não compensava o boleto que chegou da central de táxis.  O porre quase lhe rendeu a rua da amargura e o fim do casamento. Não que isso seja ruim em alguns casos, mas esse não é o ponto no momento.

| VÉRTEBRA SOCIAL | MT#2

A coluna social da classe C.
O retrato dos Jardins – João XXIII, Luizziane e Boa Vista.
A vida de quem vê a vida passar dentro de um ônibus.

*Às terças (ou não), no Vou de Táxi, a história de quem tenta ir de bumba. E seja o que Deus quiser.

No Responses Yet to “Vértebra Social #2”

Leave a Reply